A criação deste blog foi tomada inicialmente objetivando a viabilização, compreensão e conscientização das pesquisas desenvolvidas por mim, parceiros acadêmicos, professores, pesquisadores e especialistas tendo como diretrizes à Arqueologia e História. Também sob pretensão de divulgação de entrevistas com os expoentes das áreas já elencadas, aproximando mais ainda o leigo aficionado ou o acadêmico em prática das diversas variáveis existentes nessas duas ciências.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Arqueologia Pública Em Sergipe





Raquel Batista

O artigo que se inicia não tem intuito de projeção acadêmica e científica, ainda que imbuído de preceitos tais dos quais não se desvencilha por razões que ficarão claras posteriormente, mas tem a pretensão de projeção social para a Arqueologia em Sergipe, especificamente, mas em seu aspecto geral.
Visto a necessidade de maior interação e comunicação entre nosso curso e a sociedade, para que se corrijam equívocos conceituais causados pela carência de diálogo, queremos aqui minimizar esse distanciamento e causar um maior entendimento da área. Primeiramente, não estudamos dinossauros, não somos caçadores de tesouros e não há nada de sobrenatural em nossas pesquisas.
Pretendemos aqui tentar esclarecer alguns fundamentos básicos da Arqueologia, em visão e palavras de uma aluna, abrindo as portas do nosso curso e campus, para que se veja além dos nossos esqueletos, além das nossas paredes de pedra.
Por questões conceituais, definamos Arqueologia. A palavra vem do grego, Arqueo = antigo e Logia = Estudo, porém a Arqueologia permeia por caminhos muito além das barreiras do passado. Em definição moderna, Arqueologia é o estudo sistemático, metodológico e interpretativo (mas não arbitrário) das sociedades humanas através da cultura material.
Considere o homem em seu aspecto cultural, como “modelador do ambiente”, o homo Sapiens é o único ser vivente, hoje, capaz de adaptar o meio em que vive às suas necessidades e ele o faz através da cultura material. Tudo que produzimos é cultura material e/ou imaterial (em alguns casos o tangível e o intangível estão tão associados que se torna equivocada uma análise isolada). Por exemplo, as roupas, a casa, o carro, a TV, tudo através do que nos comunicamos com o meio é cultura, e essa cultura nos diz muito sobre seu usuário ou criador. Pode-se traçar um perfil sobre sua personalidade se analisados interpretativamente o modo como se veste o que come, onde mora, etc.
Esse é o objetivo e desafio inicial da Arqueologia, a leitura interpretativa dos resquícios da cultura material que denote sobre um indivíduo, grupo ou sociedade.




Mas como falar em cultura material sem falar em patrimônio? Toda cultura é patrimônio e todo patrimônio que tenha valor social comum é considerado patrimônio público. O patrimônio arqueológico se inclui no conceito de patrimônio público cultural, por isso se faz importante a participação social em pesquisas e trabalhos arqueológicos. Sem a valorização social não tem sentido algum estudar sociedades.
Uma ciência social que é desconhecida da maioria da sociedade se sente no mínimo frustrada em seu objetivo primário. Sem diálogo não há aceitação e muito menos interesse comum. Esse é o motivo pelo qual, como dito no início do artigo, os motivos de interesse em intercâmbio cultural com a sociedade, ainda que não seja, nesse caso, atividade diretamente acadêmica, não se desvencilha desse ideal, posto que nós, alunos do curso de bacharelado em Arqueologia da UFS/CAMPUSLAR, através do Centro Acadêmico de Arqueologia 26 de Julho, precisamos promover melhorias na questão pública da Arqueologia. A Arqueologia pública, acessível, é uma necessidade urgente e constante que não pode ser manifestada em casos isolados ou apenas quando remuneradas por notas ou certificados acadêmicos, tem de ser algo contínuo, dinâmico e recíproco, para que se satisfaça em nós essa necessidade de aceitação e participação pública e para que a sociedade possa ver-se espelhada em nossos trabalhos de forma ativa e consciente.


Em últimas palavras, peço que se promova identificação por parte da sociedade, sobretudo Sergipana, se tratando de um curso locado em Sergipe, reconhecido e renomado nacionalmente, mas da sociedade no geral, pois se somos ciência social, sem sociedade, o que somos?

quinta-feira, 10 de março de 2011

I SEMARQ (Primeira Semana de Arqueologia)


  
Diego Bragança


O Centro Acadêmico de Arqueologia (Gestão: Novos Rumos) do curso de bacharelado em arqueologia da Universidade Federal de Sergipe estará realizando a Primeira Semana Acadêmica de Arqueologia (I SEMARQ) na cidade de Laranjeiras-SE, entre os dias 28 de março a 1º de abril no auditório do Campus Laranjeiras.
Neste evento, teremos a presença dos grandes expoentes da arqueologia no Brasil e áreas afins, promovendo palestras e mini-cursos. Entre eles estarão o Prof. Msc. Fernando Lins de Carvalho (FAMA), Dr. Paulo Zanettini (ZANETTINI Arqueologia), Profª. Drª. Silvia M. Copé (NUPArq/IFCH/UFRGS - Vice Presidente da SAB) entre outros.
Além das palestras e mini-cursos oferecidos no evento, o participante ainda terá a oportunidade de inscrever e apresentar sua pesquisa no dia determinado dentro da programação, ressaltando que os trabalhos irão passar pela banca examinadora composta por professores efetivos do curso de Arqueologia/UFS.
O valor das inscrições é de R$ 10,00 e no caso de participação e inscrição de trabalho, fica R$ 15,00.

Caso você navegador do blog tenha interesse em participar do evento ou entrar em contato com a organização, aqui estão os números e e-mail:

(79) 9916-8238
(79) 8848-0295

caarqueologiaufs@hotmail.com



PROGRAMAÇÃO

Dia 28/03/2011

13h00min solenidade de abertura
13h30- 15h00 palestra
Tema: Pré-História de Sergipe
Palestrante: Prof. Msc. Fernando Lins de Carvalho (FAMA)

15h00-15h30 intervalo

15h30 – 17h00 palestra
Palestrante: Msc. Ademir Ribeiro Júnior (IPHAN/SE)
Tema: O papel do IPHAN na preservação do patrimônio arqueológico

Dia 29/03/2011

13h00- 14h30 Palestra
Tema: As interfaces disciplinares na Arqueologia
Palestrante: Prof. Dr. Emilio Fogaça (NAR/CAMPUSLAR-UFS)

14h30- 15h00 intervalo

15h00h-17h00 Mini Curso
Tema: História da Arqueologia
Profª. Drª. Silvia M. Copé (NUPArq/IFCH/UFRGS - Vice Presidente da SAB)

Dia 30/03/2011                                                                           

13h00-14h30 Mesa Redonda
Tema: Regulamentação da Profissão e o desenvolvimento da Arqueologia no Brasil
Composição da mesa: Profª. Drª. Silvia M. Copé NUPArq/IFCH/UFRGS - Vice Presidente da SAB), Prof. Dr. Gilson Rambelli (NAR/CAMPUSLAR-UFS), Prof. Dr. Paulo Jobim Campos Mello (NAR/CAMPUSLAR-UFS)

14h30- 15h00 intervalo

15h00-17h00 Mini Curso
Tema: História da Arqueologia
Profª. Drª. Silvia M. Copé (NUPArq/IFCH/UFRGS - Vice Presidente da SAB)

Dia 31/03/2011

13h00-14h30 Palestra
Tema: Bioarqueologia
Palestrante: Profª. Drª. Olivia Alexandre de Carvalho (NAR/CAMPUS LAR-UFS), Prof. Dr. Alberico Nogueira de Queiroz (NAR/CAMPUS LAR-UFS e MAX/UFS)

14h30- 15h00 intervalo

15h00-16h30 Apresentações de trabalhos

16h30-18h30 Mini Curso
Tema: Zooarqueologia de Moluscos
Profª. Drª. Márcia Barbosa Guimarães (NAR/CAMPUSLAR-UFS)

Dia 01/04/2011
13h00-14h30 Palestra
Tema: O perfil do Arqueólogo no século XXI
Dr. Paulo Zanettini (ZANETTINI Arqueologia)

14h30-15h00 Intervalo

15h00-16h00 Apresentações de trabalhos      

16h00-18h00 Mini Curso
Tema: Zooarqueologia de Moluscos 
Profª. Drª. Márcia Barbosa Guimarães (NAR/CAMPUSLAR-UFS)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Brasil Oitocentista Através das Fotografias




Diego Bragança

É por meio das fotografias e pinturas que a imagem do Brasil e principalmente da capital do império, foi construída. Vale ainda ressaltar e dar destaque para as pinturas (de forma que a fotografia era uma invenção recente até então) e foi nas mãos, por exemplo, de Jean-Baptiste Debret e de outros grandes pintores viajantes da época, que a imagem do Brasil fora construído.
Não foi diferente quanto à fotografia. Em terras brasileiras no império passaram diversos viajantes que tinham como objetivo registrar a belas paisagens desta terra e já enfrentavam um pequeno problema: os meios urbanos no império não eram considerados sinônimos de beleza como Londres e Paris, por exemplo. Então, literalmente, a imagem do Brasil foi, de fato, construída. E é neste cenário que iremos falar sobre as histórias de duas figuras importantes, primeiro o fotógrafo Victor Frond que tinha o interesse de fotografar e registrar tudo em um livro que falava sobre as riquezas e as belezas do Brasil. O mesmo convidou Charles Ribeyrolles que se encontrava mais preocupado a dar ênfase ao cotidiano do império do que com qualquer outra coisa, como a família imperial por exemplo.
Outro viajante, Carl Von Koseritz, era destinado a escrever na década de 1880, chegando à corte em 1883 em meio a um turbilhão porque o regime do monarca se encontrava em crise e a corte se encontrava em meio a um surto de febre amarela. Este viajante passa então a escreve sobre os lugares mais importantes do império, como hotéis e restaurantes participando também do círculo de salões e festas com presença de todas as comunidades estrangeiras.
Podemos nos perguntar então e pensar: qual a importância da ótica e análise de um viajante? Em resposta, tomamos o raciocínio que, além da carga profissional dos mesmos, existe também o fato de serem exímios observadores (externos), já que estes estarão analisando algo que nunca antes tiveram contato e poderão assim trazer um conhecimento diferente sobre os costumes analisados aqui então.
Relevante é o papel dos viajantes da época com os seus trabalhos e registros, haja vista que o Brasil será levado a participar de exposições através das pinturas e fotos, obviamente que esses registros vão tratar do lado positivo do Brasil que, em suma, uma diminuta parcela enquanto que os meios urbanos enfrentavam uma extrema falta de saneamento urbano no regime imperial.
Os principais edifícios da corte tomam outros rumos. É através do daguerreótipo trazido pelo abade Compte que lhe trouxe da França e passou de imediato, a registrar o Paço Imperial, por exemplo, e pouco depois no Hotel Pharoux onde o abade pode apresentar o aparelho ao Imperador D. Pedro II.  Processo este, que os jornais da época descreviam com praticidade no ato de em 9 minutos o aparelho podendo registrar diversos ponto e estruturas da cidade.
O uso deste novo aparelho e a forma como ele registra torna-se bombástica para a população brasileira, se levarmos em conta que, em sua grande maioria, o povo no império não sabia ler nem escrever, era uma população iletrada. Era mais fácil então você analisar e contemplar fotos do quê mesmo, ler jornais. O mais interessante é que este novo tipo de registro vai ser acessível até mesmo as classes mais desfavorecidas para auto-representação, haja vista que a pintura era algo restrito a elite da corte e em conseqüência, essa demanda trouxe o incentivo a pesquisa e melhora desta atividade.
A partir daí, com a facilidade e acessibilidade esta atividade irá tomar proporções maiores e fotógrafos irão se especializar em suas respectivas áreas, alguns irão se dedicar a fotos de paisagens e irá também, aperfeiçoar os seus instrumentos de trabalho como o Marc Ferrez, fotógrafo brasileiro que possuía um aparelho inventado por M. Brandon e o melhorou para registros de fotos panorâmicas. Eram também de costume dos daguerreotipistas, se instalarem temporariamente nos hotéis e outros estabelecimentos a fim de chamar atenção da clientela, já que estes não possuíam um lugar fixo de moradia ou de trabalho e poderiam também ser chamados e contratados.
Em um segundo momento, a Revolução Industrial vai modificar um pouco o panorama e ainda irá encarecer esta atividade. A fotografia vai evoluir e ao redor haverá industrialização de produtos químicos usados nos aparelhos e também da ótica. É sabido que na década de 1870, havia uma alta concorrência entre os daguerreotipistas e junto, disparidades de preços em direção a um preço mais baixo. Em média, os retratos em porcelana que era considerada o grande coqueluche da época ficava em torno de 3$000 a 5$000 a dúzia. Um comportamento em voga na época, imitando os costumes Parisienses, era de freqüentar o ateliê fotográfico.
No que diz respeito à publicidade, por volta de 1850 ela vai tomar forma através dos anúncios em jornais já ultrapassavam e tomavam qualquer espaço vazio da corte. Esses costumes atrelados à possibilidade da população ter acesso a revistas e jornais que davam ênfase aos bons costumem dava um grande significado a esta atividade. Uma coisa chama bastante atenção: as fotografias de escravos negros vestidos. Normalmente o homem vestido de terno e despido apenas os pés (era praxe na época, já que o escravo não tinha direito a usar sapatos) e as mulheres com um belo vestido e um turbante. A intenção na verdade era exportar a imagem de que a escravidão era algo exótico ao modo de ver dos europeus. No período pós abolição era de praxe o registro de fotografias com presença de escravos domésticos ou de certo afeto por parte dos seus donos e se posicionavam nas extremidades das fotos, no canto esquerdo ou no canto direito e as damas brasileiras eram forçadas a usarem vestimentas pesadas que fossem de costumes europeus como o vestido de veludo, por exemplo.
Segundo Gilberto Freyre, os chapéus femininos não vingaram por conta da introdução através das prostitutas européias. Vale ressaltar ainda, que fotografia vai ter importância no registro das famílias aristocráticas cafeeiras brasileiras. Ainda se tratando de costumes europeus adquiridos na corte brasileira, era de costume também das famílias tirarem fotos em canoas, costume esse que era considerado de etiqueta nas famílias européias.



quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Perspectiva da Arqueologia no Regime Militar no Brasil



(Por Naiana Mendonça)

A definição de Arqueologia grosso modo se resume, ao estudo da sociedade e pelos seus vestígios materiais ou imateriais deixados ou não, para a sociedade seguinte. No caso da arqueologia forense seria tentar recuperar as memórias dos países ditatoriais, não apenas no Brasil, mas também na América Latina, onde se tenta adquirir uma relevância social. Para uma maior compreensão, faz-se mister investigar a historicidade da Arqueologia Forense, a qual necessita de um estudo mais aprofundado.



A Arqueologia Forense surgiu na América Latina no século XX, no ano de 1984. “Após três décadas de golpes políticos freqüentes e da implantação de ditaduras violentas, a Argentina se via diante da dolorosa memória de cerca de trinta mil pessoas desaparecidas” (SEOANE; MULEIRO, 2001, 198).


Com base nos dados de aproximadamente 30.000 mil pessoas desaparecidas na Argentina, pesquisadores na área da Arqueologia Forense e Antropologia Forense no Brasil, estão nesta mesma trilha em relação ao País, no qual consta mais de 1.500 desaparecidos. O Brasil ainda está em fase embrionária nesse sentido, já que as pesquisas e os estudos em áreas forenses realizadas no país são ainda exercitados com práticas e métodos pela a Medicina Legal. Devendo assim então, um apoio, aprimoramento, e confiança para que enfim, a área da Arqueologia Forense seja mais executada e que beneficie toda a sociedade.


A Arqueologia Forense é bastante recente em relação a outras especialidades da arqueologia, surgiu bem depois da Arqueologia Histórica, devido ao período que estuda particularmente bem mais depois da metade do século XX, até os dias atuais. Levando em conta, que os estudiosos ao decorrer destes últimos anos têm demonstrado interesse crescente em explorar com o auxílio da cultura material os conflitos e lutas sociais, no caso deste artigo, a Ditadura Militar. Igualmente, considerando como perspectiva relevante a interpretação do passado, o qual se constrói por meio das concepções modernas. Durante muito tempo, os assassinatos cometidos pelo poder governamental durante os anos de 1964 a 1985 assombraram não apenas as pessoas que tem conhecimento dessa barbárie, mas também os parentes das vítimas. Atualmente esses crimes ainda assombram aqueles que tiveram quaisquer aproximações com atos contra a integridade física e moral dos que ousavam se contrapor ao sistema ditatorial.



Este artigo está disponível na íntegra em formato PDF e os interessados devem solicita-lo através do e-mail: viagemarqueohistorica@hotmail.com
 
(Naiana Mendonça é graduanda do 8º período do curso de bacharelado em arqueologia pela Universidade Federal de Sergipe) 

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O Cotidiano e a Riqueza Material do Engenho Escurial Oitocentista (1840-1884)


(Por Renato Ramalho e Leonardo Matos)


Nossa proposta de pesquisa se enquadra em um estudo da materialidade que compõem os hábitos e costumes da açucarocracia sergipana. Onde analisamos os objetos que pertenceram à família Dias Coelho e Mello proprietária do Engenho Escurial localizado em Itaporanga D’Ajuda, e identificamos sua origem, entendendo as motivações da posse e o seu universo simbólico. Estes objetos são divididos entre móveis e louças. Delimitamos nossa pesquisa a segunda metade do século XIX, de 1840 a 1884, devido ser um período de grande destaque, onde os proprietários do referido Engenho estão no auge do poderio econômico, não só pela produção do açúcar, mas por ter seu patriarca além de deputado da província de Sergipe, é intitulado Barão e senador vitalício do Império. É adentrando a casa-grande que analisamos a materialidade, onde encontramos o universo simbólico que compõe a pompa e o luxo, os ares da corte que invadem os palacetes da açucarocracia a partir dos oitocentos, a necessidade de ostentar vultoso número de objetos que denotam o quanto poder e riqueza esses clãs senhoriais possuíam, percebendo, assim, que o mundo material é um poderoso sistema de significado, no entanto os significados da cultura material não são fixos, mas sim específicos a um tempo e lugar, sendo a cultura material carente de significado por si mesma, só adquirindo uma dimensão ativa e ideológica dentro de um sistema cultural determinado.




Lembrando que este T.C.C. (Trabalho de Conclusão de Curso) está disponível na íntegra no laboratório de informática da Biblioteca UNIT Centro ou em formato PDF, interessados solicita-lo através do e-mail: viagemarqueohistorica@hotmail.com


(Leonardo Matos e Renato Ramalho são formados em licenciatura plena em história pela Universidade Tiradentes)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Negras Raízes: Irmandade de São Benetido



(Por João Mouzart de Oliveira)


O presente trabalho tem como objetivo analisar e descrever A história da irmandade de são Benedito na cidade de Aracaju, querendo entender o processo de organização desse grupo nesta cidade. A irmandade era o lugar onde possibilitava a população de cor estabelecer um espaço de autonomia dentro da sociedade, pois, ao se inserir nas confrarias negras as comunidades mais carentes detinham alguns benefícios. As Irmandades foram muito importantes no contexto da sociedade colonial. Seus serviços espirituais (construção de igrejas, presença na hora da morte, etc.) e de auxílio pecuniário, de socorro aos irmãos nas adversidades e vicissitudes, fizeram com que as Irmandades se proliferassem com eficácia. E no caso das Irmandades de são Benedito, acrescenta-se a inserção da presença negra no mundo católico. O recorte temporal foi feito levando-se em conta as fontes à disposição, que vai de 1946 a1971, sendo que o método de pesquisa aplicado foi à utilização de fontes primarias extraída da cúria metropolitana de Sergipe, onde encontramos os registros de óbitos do século XX, e o estatuto da irmandade de são Benedito, neste encontramos as principais informações de como funcionava a irmandade de são Benedito, as festas, e os rituais fúnebres que eram assistidas pela irmandade. Encontramos grande contribuição para nossa pesquisa no instituto Dom Luciano Cabral Duarte, lá encontramos no livro “Caminhos de Emaús” uma fonte que é narrativa da festa de são Benedito. A realização desta pesquisa foi norteada pelos pressupostos teórico-metodológicos que trabalha a irmandade no campo nacional e regional, que são: João José Reis, Reginaldo Luciene ,Ivânia Maria de Almeida, Vanessa dos santos oliveira ,todos esse autores servirão para da embasamento teórico a essa pesquisa. Neste trabalho tentamos resgatar a historia dessa confraria na cidade de Aracaju. No desenrolar do trabalho, observou-se o quanto as irmandades têm sempre algo a mais para nos revelar, é necessário: investigação, discussão e questionamentos sobre os acontecimentos marcantes na sociedade.


Esta pesquisa está disponível na íntegra em formato PDF e os interessados podem solicita-lo através do e-mail: viagemarqueohistorica@hotmail.com

(João Mouzart de Oliveira é graduado em licenciatura plena em história pela Universidade Tiradentes e é graduando do curso de bacharelado em arqueologia pela Universidade Federal de Sergipe)






quinta-feira, 15 de abril de 2010

A Estação Ferroviária de Laranjeiras e o Desenvolvimento Férreo em Sergipe


 
                            

(Por Jaciara Andrade)


O início da arquitetura de ferro no Brasil está ligado à ampliação das relações comerciais com a Europa no início do século XIX, visto que, a pouca existência de siderurgia no país, impulsionada pela abertura de portos e do decreto que impedia instalação de manufaturas nacionais, levava à importação do produto. Em 1854 foi construído o primeiro trecho percorrido por estrada de ferro em território brasileiro, por iniciativa do Barão de Mauá, que ligava o porto de Mauá a Fragoso, no Rio de Janeiro. Em Sergipe, as construções são iniciadas na primeira década do século XX, tendo percorrido todo o estado até 1954.
A linha férrea sergipana foi construída com a finalidade de estabelecer uma ligação entre as duas maiores cidades do Nordeste, Recife e Salvador. A linha vinha do território pernambucano passando pelo estado de Alagoas no ramal de Palmeira dos Índios, mas só cumpriu seu objetivo de ligar o norte ao sul do Brasil quando, em 1972, a ponte sobre o rio São Francisco (Sergipe/Alagoas) foi finalmente concluída, conectando-se com a linha vinda do ramal de Timbó, na Bahia que passava pelo território sergipano. As estradas de ferro no estado, assim como em todo o Brasil, foram intensamente utilizadas como meio de transporte de pessoas e mercadorias. A trajetória da via férrea sergipana reflete a importância econômica de algumas regiões durante o século XX, além de marcar sua própria decadência em função da construção das rotas rodoviárias.
A estrutura da estação ferroviária de Laranjeiras, atualmente em ruínas, aparentemente, obedece a um estilo arquitetônico simples, não muito comum para a época, onde era adotado o neocolonial que consistia no resgate de motivos decorativos típicos do período colonial americano de origem ibérica, empregado na arquitetura contemporânea. Este estilo é adotado no Brasil, de forma própria, marcando a arquitetura em diversas cidades, inclusive em Laranjeiras, que possui algumas construções deste período completamente em desacordo com o estilo adotado na estação. Essa divergência pode ser explicada devido à função do prédio, o que pode ser constatado a partir da análise de outras construções de mesmo porte e período que apresentam características arquitetônicas semelhantes, como é o caso das estações de Rita Cacete e Colônia, localizadas no município de São Cristóvão.
A estação foi edificada sob domínio da Cia. Chemins de Fer Federaux du L'Est Brésilien, de capital francês, entretanto, no período de 1935 a 1975 passa a ser controlada pela V. F. F. L (Viação Férrea Federal do Leste Brasileiro), então criada pelo Governo para assumir o acervo deixado pelos franceses. No ano de 1975 foi incorporada pela Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima (RFFSA), de economia mista, integrante da Administração Indireta do Governo Federal, vinculada funcionalmente ao Ministério dos Transportes, onde permanece até 1996 quando é feita a transferência para o setor privado dos serviços de transporte ferroviário de carga.
Atualmente a linha férrea da cidade de Laranjeiras é utilizada como passagem do trem cargueiro da FCA vindo do sul, que segue até a estação de Riachuelo onde carrega produtos químicos das fábricas do pólo petroquímico. Contudo, a estação ferroviária, de propriedade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) encontra-se em completo abandono. O prédio apresenta apenas suas paredes em ruínas e em seu interior podem ser observados vestígios da cobertura que desabou. Os reais motivos do esquecimento do patrimônio ainda serão estudados, contudo, sabe-se que o tempo está destruindo não apenas um prédio quase centenário, mas, todo o valor histórico que o desenvolvimento férreo proporcionou àquela cidade.

Este artigo está disponível no formato PDF e os interessados podem solicita-lo através do e-mail: viagemarqueohistorica@hotmail.com

(Jaciara Andrade é graduanda do 8º período do curso de bacharelado em arqueologia pela Universidade Federal de Sergipe)